quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Paul Celan: De escuridão em escuridão



   Nos curtos versos a seguir, Paul Celan (1920-1970) ressalta o sentido da luz e da escuridão como forças que se alimentam. Diante dos tormentos da existência humana, o lume da pessoa amada gera uma sombra que nos dá corpo; é de escuro em escuro que nos emerge a possibilidade de travessia e iluminação.


DE ESCURIDÃO EM ESCURIDÃO

Abriste os olhos – vejo minha escuridão viver.
Eu a vejo até o fundo:
mesmo aí ela é minha e vive.

Leva isso além? E desperta ao levar?
De quem a luz que me acompanha o pé
e um barqueiro para si encontra?


Nocturne in Silver and Grey – James Whistler


(Paul Celan. A poesia hermética de Paul Celan
Tradução de Flávio R. Kothe. Brasília, DF: Editora da UnB, 2016, pág. 105)

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